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Mercado de venda de seguidores atrai jovens com promessa de dinheiro fácil

A compra e venda de seguidores funciona às claras na internet. A falsa promessa de renda fácil cria um mercado irregular que infla perfis, paga décimos de centavo por clique e cria um estado constante de ansiedade em trabalhadores.

08/07/2024 às 08h10
Por: Redação Fonte: Laura A. Intrieri/Vitor Rosasco/Folhapress
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Telas de trabalhadores do mercado de compra e venda de seguidores - Foto: Reprodução
Telas de trabalhadores do mercado de compra e venda de seguidores - Foto: Reprodução

A compra e venda de seguidores funciona às claras na internet. A falsa promessa de renda fácil cria um mercado irregular que infla perfis, paga décimos de centavo por clique e cria um estado constante de ansiedade em trabalhadores.

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Jovens entre 18 e 35 anos vindos da informalidade são a maioria nesse tipo de atividade clandestina, segundo Matheus Viana Braz, psicólogo que pesquisa o trabalho em meios digitais.

Especialistas chamam de “microtrabalho” o ganho por pequenas tarefas realizadas online. Treinar algoritmos de inteligência artificial, classificar conteúdos violentos em plataformas ou, no caso de muitos jovens brasileiros, curtir publicações e seguir perfis.

“Eles perdem a fronteira entre vida familiar e profissional. Todo tempo de ócio passa a ser usado nas tarefas das plataformas. Trabalhadores já mencionaram levar seus notebooks para festas familiares. Uma mãe fazia tarefas pela madrugada, enquanto amamentava seu bebê”, diz Braz.

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“Quanto maior a dependência financeira, mais vulnerável a pessoa fica”.

Apesar de contestada na Justiça desde 2022, a prática de pagar por engajamento é disseminada entre empresas, influenciadores e políticos. As tarefas são realizadas nas chamadas “fazendas de cliques”, sites que recebem pedidos de donos de perfis e passam as demandas de cliques a trabalhadores cadastrados.

Elas pagam cerca de R$ 0,006 a cada seguidor e R$ 0,001 a cada curtida em redes como Instagram e TikTok.

A reportagem trabalhou em uma fazenda de cliques, criando uma conta no Instagram e cadastrando-a para seguir perfis. Após meia hora fazendo as tarefas, os pedidos para seguir novas contas pararam de surtir efeito e começaram a aparecer como desfeitos, sem mensagem de erro nem de violação de políticas.

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O ganho no período foi de R$ 0,06. Com valores tão baixos, trabalhadores usam bots, programas de computador que automatizam os cliques, para ter chance de fazer algum dinheiro.

R.S. tem 18 anos e está no ramo há 3. Com os métodos otimizados, diz faturar R$ 3.000 por mês. “Programo desde os 13 anos. Tenho 70 contas fazendo 200 ações cada por dia”.

Quem não usa bots e depende de cliques manuais “não consegue fazer nem R$ 5 por dia”, segundo ele.

As plataformas exigem que o perfil usado pelo trabalhador para seguir e curtir contas pareça orgânico, com fotos e seguidores. Por isso, há um mercado paralelo de compra e venda de perfis aptos ao trabalho, além de números falsos usados para cadastro e redes privadas de internet.

Quem quer comprar seguidores vai a painéis “SMM” (sigla em inglês para “marketing de mídia social”), sites que funcionam como vitrines online de pacotes de engajamento por preços determinados.

Eles recebem a demanda e sinalizam para as fazendas de cliques quais contas devem ser curtidas e seguidas. Por vezes, o caminho entre os clientes e os painéis SMM é intermediado por revendedores. É o caso de T.M., 26.

“Eu ofereço uma proposta ao cliente. Depois do pagamento, pego uma parte do dinheiro e faço o pedido de compra de seguidores”, diz.

No mercado há dois anos, divide o tempo entre estudo e trabalho —a maior parte, nas plataformas.

“Revender é melhor. Para trabalhar curtindo, a pessoa não gasta nada, só ganha, mas, de tanto seguir as pessoas, uma hora você é bloqueado.”

Uma tarefa para seguir a conta da vereadora de São Paulo Janaína Lima (Progressistas) foi encontrada pela reportagem numa fazenda de cliques, a R$ 0,006. Procurada, ela afirmou que nunca contratou nem autorizou serviços de compra de seguidores.

O mesmo aconteceu com o perfil no Instagram da ex-BBB Paulinha Leite, que administra uma empresa de apostas coletivas. A empresária diz que desconhece a compra de seguidores e que faz “postagens esporádicas” na rede.

A reportagem recebeu tarefas para curtir uma publicação no Instagram da apresentadora Nicole Bahls e seguir o perfil da marca de maquiagem Dailus. Nenhuma das assessorias respondeu aos pedidos de contato.

O Instagram afirmou que trabalha para manter a comunidade livre de “comportamentos inautênticos” e que suspende e remove contas que violem suas diretrizes.

O TikTok, cujas políticas também proíbem engajamento inorgânico, não se posicionou.

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