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Cultura Bahia

‘As Tentações de Padre Cícero’ faz parte de especial junino no TCA de Braços Abertos

Com texto e direção de Gil Vicente Tavares, a narrativa acompanha a saga do homem que foi de pregador da pequena capela da aldeia vinculada à Vila do Crato a líder religioso da região do Cariri, no solo cearense.

14/06/2021 15h45
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Por: Redação Fonte: Secom Bahia - (Pamela Simplício)
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A edição ‘Especial Nordestes’ do TCA de Braços Abertos desta quarta-feira (16), às 19h, conta com a exibição da peça “As Tentações de Padre Cícero”. O vídeo do espetáculo poderá ser assistido no canal do Teatro Castro Alves no YouTube (www.youtube.com/teatrocastroalvesoficial) até o domingo, 20 de junho. Com texto e direção de Gil Vicente Tavares, a narrativa acompanha a saga do homem que foi de pregador da pequena capela da aldeia vinculada à Vila do Crato a líder religioso da região do Cariri, no solo cearense; de incômodo padre, associado a milagres e práticas religiosas consideradas fanáticas, banido e excomungado da Igreja Católica, a instrumento de luta – pela mesma igreja – em defesa à entrada das religiões Evangélicas. “Padim Ciço” foi de primeiro prefeito de Juazeiro – mais tarde, Juazeiro do Norte – a primeiro vice-presidente do Ceará e, posteriormente, deputado federal.  

Gil Vicente concebeu a dramaturgia “como uma colcha de retalhos, imagem tão característica do Nordeste. Cenas com personagens históricos, como Lampião, se entrelaçam com músicas originais, contações em formato de cordel, galope e desafio, dando ao espetáculo um dinamismo a partir de elementos de nossa cultura e história”, conta. 

A proposta do espetáculo é trazer à tona o homem, Cícero, com suas emoções, razões e contradições, que lutava pelo pobre, mas que construiu um patrimônio substancial e que o transformou em um homem rico. Ainda que esta montagem pretenda fazer uma homenagem ao personagem histórico, é importante fazer o público experimentar os sentimentos, o contexto e as ações do Padre e fazer, ele mesmo, o seu julgamento e suas constatações. A história é “perpassada por diversos jogos de poder, religiosos e profanos, e há uma dimensão épica nos feitos do Padre Cícero, polêmica e misteriosa, que livro nenhum conseguiria desvendar; no máximo abrir caminhos para cada um refazer as perseguições religiosas, as batalhas, os jogos políticos que fizeram de Cícero um símbolo do Nordeste”, avisa Gil. 

O elenco se desdobra entre vários papeis, compondo o painel de personagens que acompanharam a trajetória de Padre Cicero. A proposta do grupo é mergulhar no universo de sonoridades do sertão, com cordel, embolada, tradições sertanejas – o rico imaginário sonoro e musical nordestino – com música executada ao vivo, trazendo, para o palco, a atmosfera do tempo e espaço que embalaram a vida de Padre Cícero e que continua imprimindo, ainda hoje, a sua marca em nossa arte. 

Para contar essa história, Gil se cercou de profissionais gabaritados, desde os atores aos integrantes da ficha técnica. No palco, Marcelo Praddo, ator do Teatro NU, divide a cena com Denise Correia, Elinaldo Nascimento, Marcos Lopes e Lúcio Tranchesi, esse último dando vida ao Padre Cícero. O professor Eduardo Tudella, parceiro do grupo, é responsável pela luz do espetáculo; Bárbara Barbará assina as coreografias, a direção de movimento e a assistência de direção; Luciano Salvador Bahia assume a direção musical; o figurino fica a cargo de Rino Carvalho; maquiagem de Anna Oliveira; fotografias de Ricardo Prado e programação visual de Guto Chaves. Para o cenário, Gil convidou Márcio Medina, cenógrafo e figurinista paulista, que se aproximou do grupo após assistir ao espetáculo “Os Pássaros de Copacabana”. Colaborador constante de várias companhias de teatro, Medina é um dos diretores de arte mais requisitados da cena paulista. 

Com o espetáculo, o Teatro NU pretende aproximar e seduzir o público baiano para uma viagem em nossas tradições, propondo associações e reflexões sobre o tema – características presentes em suas montagens. E assim, reforçar o sentido que move os espetáculos do grupo, voltando ao passado, comentando o presente e propondo reflexões que norteiem o futuro. 

O espetáculo foi indicado ao Prêmio Braskem de Teatro nas categorias melhor espetáculo, melhor direção e melhor ator, ganhando nas categorias melhor texto e melhor direção musical. 

Próximas edições

No dia 18 de junho, sexta-feira, o “TCA de Braços Abertos” será estrelado pela estreia da coletânea audiovisual “Deux Ex Machina”, remontagem inédita do projeto transdisciplinar “Abian”, com direção de Mayara Ferrão, texto e performance de Diego Alcântara e direção musical de Filipe Mimoso. No dia 23, o “Especial Nordestes” traz vídeo do cantor e compositor Celo Costa. Já no 28 de junho, como homenagem ao Dia do Orgulho LGBTQ+, o YouTube do TCA recebe o espetáculo episódico “PARA-ÍSO”, com direção e dramaturgia de Luiz Antônio Sena Jr. Na quarta, 30 de junho, é a vez da obra de música e poesia “Do Cordel Remoçado ao Cibercordel”, de Omar Tolstói. Lançado em 2020, o “TCA de Braços Abertos” é uma janela oferecida pelo Teatro Castro Alves para exibição de iniciativas culturais em seu canal de YouTube, assim como ocorria na ocupação dos palcos do Complexo antes da pandemia.   

Fonte: Ascom/ TCA

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