O psicólogo Moacir Lyra, com um doutorado e várias especializações na sua área de atuação, participou da live com o pré-candidato a vereador Vanderley Soares, debatendo o tema “Depressão e solidão em meio ao caos”, tratando obviamente do sofrimento mental trazido pela ameaça do corana vírus, nesta quarta-feira(11).

Os encontros são diários e apresentam autoridades e especialistas em diversos campos de conhecimento e de ação governamental, com início às 19:30h.

O convidado falou, a princípio, que a saúde mental em tempos de pandemia, ao lado preocupações de ordem fisiológica, apresenta preocupações com a intensificação dos quadros ansiosos, depressivos, de ideação suicida e pensamento de ruína.

É um momento que o sofrimento psíquico latente emerge em novos episódios. Até pessoas que não tinham histórico de transtornos mentais passam por uma eclosão de emoções que refletem uma desordem interna, geralmente acompanhado do sentimento de angústia.

Segundo define o especialista, esse sintoma específico se caracteriza pela impossibilidade do sujeito dominar uma determinada situação. Ele lembra que estamos em um campo desconhecido quando ainda não se tem remédio, não se tem vacinas, e é tudo muito experimental. A pergunta “como será o amanhã?” vive martelando na mente das pessoas.
Houve uma modificação de rotinas, de hábitos, de condutas muito forte, foi muito abrupto para todos começar a pensar e a conviver com mudanças comportamentais no campo da subjetividade, gerando vários distúrbios como conflitos familiares que se intensificaram a ponto de elevar os casos de violência doméstica, explica Moacir. Quadros de tristezas se potencializaram gerando depressão, houve um consumo indiscriminado de psicofármacos e abuso de álcool e de outras drogas, na perspectiva das pessoas se anestesiarem, complementa.

Vanderley Soares pontuou que os médicos se colocam como diante de uma oficina, no sentido de que têm que ser criativos e abandonar as referências antigas diante de situações completamente novas. Ao mesmo tempo ele questiona se o bombardeio de informações pode prejudicar o estado emocional das pessoas.

Moacir concorda que o excesso de exposição à mídia é estressante mentalmente e, por isso, recomenda cerca de 8h de atividades longe de computadores e televisões. O psicólogo admite também que não existe “receita de bolo” para enfrentar a crise, ao mesmo tempo que acrescenta que se deve cuidar dos cuidadores também sob o aspecto psicológico. Ele conta que alguns deles decidiram alugar casas e apartamentos para ficarem longe de suas respectivas famílias com a intenção de protegê-las.

Cuidar da rotina de sono-vigília, ter uma alimentação saudável, fazer atividades coletivas que integrem a família, não ficar cada um em um canto com seu celular, tudo isso ajuda a se organizar psiquicamente. Moacir alerta que são comuns as manifestações psicossomáticas, quando a desordem da mente adoece o corpo, a exemplo de alterações dermatológicos, gastrointestinais, na pressão arterial e a presença de cefaleias. Como também ocorrem manifestações hipocondríacas, a pessoa sente os sintomas da covid-19 por autossugestão, isso prova que mente e corpo não estão dissociados.

Ele também lembrou que esse pode ser o momento para haver mais solidariedade, de se vencer a solidão que o mundo virtual mascara. Vanderley lembrou que os grandes filósofos usavam a solidão para seus momentos de reflexão, mas quando ela causada por rejeição, desprezo e confinamento de qualquer tipo, tem um traço negativo que deve ser considerado terapeuticamente. Moacir acha que esse é um momento de se rever os conceitos de uma sociedade que não está presa ao “ter”, é muito pior, ela está escravizada ao “parecer que tem” ou ao “mostrar que tem”. Essa pausa forçada também é uma oportunidade de revirar o baú das emoções e remover de lá raivas e ressentimentos, sobretudo os familiares, classicamente, a raiz de boa parte dos sofrimentos psicológicos.

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