Pela primeira vez a Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu ser necessário que países ponderem sobre as consequências para as populações mais pobres do lockdown – a medida mais radical de isolamento social diante da pandemia do novo coronavírus.

“Isso [isolamento] pode nos dar tempo. Mas cada país é diferente, alguns têm um sistema de auxílio social forte e outros, não. Se fecharmos ou restringirmos os deslocamentos, o que acontecerá com essas pessoas que têm que trabalhar todos os dias?”, questionou o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.

“Eu venho de uma família pobre e sei o que significa ter que se preocupar com o pão diário. “O tom do discurso  foi diferente de declarações anteriores dadas pelo próprio Ghebreyesus.

Dias atrás, ele havia dito que entende o dilema de proteger as economias e os sistemas de proteção social, mas que a prioridade deveria ser conter a doença.No entanto, embora o anúncio mais recente tenha sido interpretado por muitos como recuo ou afrouxamento das medidas de isolamento que já vinham sendo defendidas pela OMS, o órgão segue afirmando que o distanciamento é essencial, e que “a última coisa que os países precisam é reabrir as escolas e os negócios apenas para ter que fechá-los outra vez devido ao ressurgimento de casos”.

A OMS não citou o chamado isolamento vertical – modelo no qual as pessoas com mais risco de contrair a Covid-19 ficariam em casa e crianças e adultos saudáveis retornariam às suas atividades normalmente.

A Organização Mundial da Saúde apenas orientou os governos a ponderar sobre o lockdown, que seria a paralisação total dos deslocamentos, obrigando todos a ficar em casa. O Brasil, atualmente, não adota o lockdown, mas sim graus variados de isolamento social em diferentes regiões.

A OMS também defendeu que os governos, diante das circunstâncias específicas de cada região, devem garantir o “bem-estar” e necessidades essenciais para as populações mais pobres e trabalhadores informais à medida em que se agrava sua situação de vulnerabilidade no contexto de pandemia.

Fonte: Gazeta do Povo

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