(Foto: Divulgação)

Pouco mais de 40 famílias estão desabrigadas devido à chuva forte que vem caindo nos últimos dias no município de Conde, na região do Litoral Norte da Bahia. Na noite desta quinta-feira (20), a água provocou alagamentos e fez transbordar um rio que passa dentro da cidade. No centro e na zona rural, as pessoas estão ilhadas e o fornecimento de água foi interrompido em parte da região porque a enxurradas destruíram uma adutora. Até o momento, não há notícias de desaparecidos e nem feridos.

Desde segunda-feira (18), a chuva não para de cair no município e a prefeitura pretende decretar estado de emergência. “Com essa chuva, a cidade foi atingida por dois problemas: os alagamentos e a cheia do Rio Itapirucu. Estamos num caos e por isso se faz necessário elaborar o decreto. As estradas vicinais estão todas destruídas e diversas estruturas foram comprometidas, como as pavimentações. Lavouras inteiras estão submersas, sem falar nas famílias que estão desabrigadas”, declarou ao CORREIO o prefeito da cidade, Antônio Eduardo Lins de Castro.

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“E para agravar tudo, a gente ainda tem essa pandemia. As famílias que estão desabrigadas, estão sendo levadas para escolas e mantidas afastadas uma das outras, para evitar aglomerações. As pessoas estão de máscaras e com o uso do álcool em gel. Até então, estamos conseguindo manter o protocolo para evitar a proliferação do vírus na cidade”, disse Castro. A cidade registrou até agora apenas um caso confirmado da covid-19 e tem um outro em análise. Outras 22 pessoas foram submetidas ao teste e deram negativo para a doença.  

A chuva que vem provocando estragos na cidade deve cair até sábado. Segundo Castro, a Defesa Civil do município e o Corpo de Bombeiros se reúnem ainda nesta quinta para definir ações de prevenção.

Elaborado e reconhecido o decreto de emergência, recursos do Estado e do governo federal poderão ajudar na reconstrução da cidade, de pouco mais de 27 mil habitantes. “Estamos fazendo um levantamento dos danos e, com base nisso, faremos o decreto de emergência”, disse o prefeito. Conde já está em situação de emergência desde o dia 19 de março por conta da pandemia do novo coronavírus – desta vez, a medida foi adotada pelo governo do estado.

No entorno do rio
Conde cresceu no entorno do Rio Itapicuru, cuja principal nascente fica no município de Antônio Gonçalves, região da Chapada Diamantina. O curso do rio segue no sentido Oeste-Leste, de forma praticamente perene durante o ano todo, fato relativamente raro nesta região. Passa pelas termas de Caldas do Jorro e Caldas de Cipó, nas cidades de Tucano e Cipó, respectivamente, e desagua no oceano Atlântico em Conde.  

Em janeiro de 2016, o rio transbordou de seu leito menor e alagou a maioria das ruas de Conde, ilhando o município. O número de desabrigados foi de centenas de famílias, tendo os efeitos sido menores, uma vez que a população foi avisada previamente da inundação em decorrência das fortes chuvas. E na manhã desta quinta não foi diferente. “Aqui é a foz do Itapicaru e quando chega, vem com acúmulo de águas de diversas cidades anteriores, atingindo também todas as populações ribeirinhas”, explicou o prefeito.  

De acordo com o prefeito, os moradores foram alertados das consequências da chuva com avisos nas redes sociais e carro de som. “Apesar de terem sido avisas do risco, algumas pessoas permaneceram em suas residências quando a água invadiu a cidade. Muita gente perdeu tudo”, contou.

Era por volta das 19h de quarta-feira quando o rio transbordou e se misturou com a água da chuva provocando alagamentos e inundações. Em alguns casos, as pessoas caminhavam com água na cintura. Em situações mais críticas, a locomoção só possível com o uso de barcos.

Fonte: Correio 24h

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