Fonte: Metro 1

A médica infectologista e diretora do Hospital Couto Maia, Ceuci Nunes, afirmou que a Bahia ainda encontra-se na curva de ascensão da infecção por coronavírus. Em entrevista a Mário Kertész hoje (19), na Rádio Metrópole, ela declarou que o índice de internação ainda não está em queda. A diretora ainda informou que os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do centro médico estão se esgotando. O Couto Maia é uma das unidades de referência no estado para tratamento da Covid-19.

“Estamos ainda na curva de ascensão. As solicitações para o Couto Maia têm aumentado muito. Como estamos com uma taxa de ocupação de nossas UTIs de 96%, é só quando a gente perde alguém ou só quando há alta para novas vagas. A gente sabe que tem muitas pessoas internadas em hospitais privados. Estamos na ascensão da doença”, afirmou a especialista.

Questionada sobre tratamentos ainda experimentais, com medicamentos que não tiveram a eficácia comprovada pelas autoridades sanitárias, Ceuci citou a busca por medicamentos eficazes contra a AIDS, nos anos 80. “Para quem acredita na experiência do mundo, não há dúvidas. Está tendo agora de novo muita controvérsia sobre o tratamento. Não existe ainda tratamento. Fizemos ontem uma reunião científica discutindo artigos do mundo todo sobre as evidências científicas do tratamento e não existe. O que existe é uma coisa ou outra mais promissora. Eu estava lembrando que a AIDS surgiu em 1982 e o primeiro remédio, que depois vimos que não era grande coisa, surgiu em 1987. Esse vírus e essa pandemia têm cinco meses”, lembrou.

“A ciência tem um tempo. O que temos são medicamentos promissores, mas nada efetivo. Não é com tratamento que vamos resolver essa pandemia”, acrescentou a médica. 

A infectologista ainda comentou as mudanças causadas pela pandemia de coronavírus. Na avaliação da profissional de saúde, a utilização de equipamentos e ferramentas contra a contaminação em hospitais será contínua. “O coronavírus vai ser parte de nossa vida. Quanto mais pessoas tiverem anticorpos contra a doença, mais a gente vai ficar com uma estabilidade maior. Mas isso é ao longo do tempo. Como a gente está fazendo uma coisa necessária para não colapsar o sistema de saúde, vão ficar pessoas que vão adoecer gente ao longo do tempo”, disse a diretora do Couto Maia.

“Com certeza teremos uma segunda onda e uma terceira onda, sempre menores, não tão grandes como essa primeira. Aqueles macacões e faceshields vão fazer parte de nossas unidades de saúde”, finalizou.

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