Dezenas de professores que atuam no Ensino Médio da Bahia, contratados em setembro deste ano pelo Governo do Estado, via Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), se queixam de não terem recebido salários desde que foram admitidos. Eles cobram uma solução da Secretaria Estadual de Educação.

Procurada pelo CORREIO, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), que representa a categoria, informou que “soube de pelo menos três professores do REDA que estão sem receber, mas que foram contratados por agora”. O salário base de um professor REDA, na jornada de 20 horas mensais, é de R$ 1.225.

“É um procedimento normal essa demora até os três primeiros meses, porque precisa ser gerada a matrícula no Governo do Estado; Depois, eles pagam todo o atrasado. Os efetivos não estão com atraso salarial”, afirmou o coordenador da APLB Sindicato Rui Oliveira.

Já a Secretaria Estadual de Educação informou que “os professores que não tomaram posse, aqueles que não entregaram a documentação em tempo ou que estão com pendência na documentação, tiveram sua contratação comprometida, e, consequentemente, o atraso no pagamento”.

“Ao serem cumpridas todas as etapas para o ingresso do servidor na folha de pagamento, os vencimentos serão regularizados em conformidade com a data de contratação. Cada convocado tem uma análise individualizada”, afirma o comunicado.

Apesar de ser tratado como uma situação normal, os atrasos estão dando dor de cabeça para os contratados, como é o caso da merendeira Irileide Dias de Oliveira, ex-funcionária do Colégio Modelo de Irecê, centro-norte baiano. Ela diz que o atraso é recorrente e ocorre mesmo com ela, que já não está mais trabalhando.

“Fui REDA por três anos e saí em setembro, mas ainda não recebi o valor da rescisão contratual, o 13º e o 1/3 férias. Pediram que eu fizesse um documento para o Recursos Humanos mês passado, eu fiz, mas até agora, nada”, contou, sem saber direito quando tem para receber. “Estou aqui com contas de água e luz para pagar, sem emprego ainda. Estou comendo porque minha mãe está me ajudando”.

Outra professora de história, de 26 anos, vive situação parecida. Ela, que preferiu não ter seu nome divulgado, ensina no Colégio Estadual Presidente Getúlio Vargas, no bairro da Soledade, em Salvador, e também foi contratada em setembro. Ela diz não ter recebido nenhuma remuneração até o momento. “Moro em São Caetano e estou tirando do meu bolso, mesmo sem receber, para pegar ônibus e vir para cá”, lamentou.

A professora de Língua Portuguesa Núbia Pereira Medrado, 43, ensina desde abril do ano passado no Colégio Estadual Professor Jairo Alves Pereira, centro de Eunápolis, extremo sul da Bahia. Ela diz que seus salários estão regularizados, mas se queixa de não ter sido remunerada pelas aulas extras de julho, agosto e setembro desde ano. “Dá uns R$ 600, no mínimo. Já fiz o pedido de cobrança junto ao RH, mas nada até agora”, contou.

Outra professora que ensina também em Eunápolis e não quis ter o nome divulgado disse que foi contratada em setembro e também está sem receber. “Pelo que a diretoria me disse, meus documentos estão todos certos, sem pendência, então porque ainda não recebi?”.

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