Uma pesquisa divulgada nessa terça-feira (22) pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) aponta que a Bahia possui dois trechos de rodovias (estaduais e federais) entre as dez piores do Brasil.

Esses dois trechos estão no oeste baiano, uma das principais áreas de produção agrícola do país, com destaque para soja, milho e algodão.

Um deles, velho conhecido da Pesquisa CNT de Rodovias, fica entre Natividade (TO) e Barreiras (BA). As duas cidades são ligadas por meio da BA-060, BR-242 (na Bahia), TO-040 e TO-280. O outro trecho, na mesma região, é entre Ibotirama (BA) e Curvelo (MG), e que passa pelas BAs 030 e 160, BR-122 (Bahia e Minas) e BR-135 e MG-122.

Saindo de Ibotirama para chegar até a BR-122, são 140 km de buracos pela BA-160. A pista é conhecida como “rodovia da romaria”, pois muitos romeiros passam por ela na época dos festejos em Bom Jesus da Lapa.

Dono de uma oficina à beira da rodovia, Cardoso Barreto, 40 anos, diz que quase não está aceitando serviços de guincho. “A estrada está muito ruim para ir buscar carro quebrado. Quase não se vê mais asfalto, é só chão de terra. Um trecho que antes era feito em três horas, hoje, a gente passa mais de quatro horas rodando”, reclama.

A rodovia é muito utilizada também por ‘vanzeiros’ que fazem o trajeto entre as cidades de Ibotirama e Bom Jesus da Lapa. Um deles é Aldo Santos Santana de Oliveira, 31 anos.

Situação parecida ocorre entre Barreiras e Natividade. O trecho de 360 km que separa essas duas cidades é bem conhecido pelo empresário Antônio Batista, 48, dono de um restaurante e lanchonete no povoado de Placas, pertencente a Barreiras. “Fizeram uma operação tapa-buraco recentemente, mas ainda tem um trecho de 8 km, daqui de Placas até a divisa com Tocantins, que está sem asfalto e tem muito buraco”, afirma ele.

Além de problemas para trafegar, os cerca de 200 moradores do povoado de Placas, onde se planta soja e algodão, convivem há 45 dias com a falta de água porque a bomba do poço que abastece o povoado e pertence a uma associação local de moradores foi desligada por falta de pagamento da energia elétrica.

O custo da energia é de R$ 15 mil. Sem água do poço, muitos moradores estão pagando caminhões-pipa que se deslocam de Luís Eduardo Magalhães para abastecer estabelecimentos particulares, e cobra R$ 450 por isso. No restaurante de Antônio Batista, os 14 mil litros de água que o caminhão-pipa leva dá para 5 dias.“E o pessoal do caminhão-pipa vem fazendo cara feia porque a estrada daqui pra Luís Eduardo ficou um bocado de coisa sem fazer também, não está tão boa assim pra rodar, não”, disse Batista.

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