Frota de táxis de Salvador tem 7.296 veículos (Foto de Marina Silva/CORREIO)

Houve um tempo em que um alvará de táxi em Salvador era considerado artigo de luxo e negociado na praça como ações em alta na Bolsa de Valores. Afinal, a autorização para circular como taxista chegava a custar entre R$ 100 mil e R$ 125 mil. O rendimento mensal compensava o valor inicial investido e os taxistas mais empreendedores começaram a comprar permissões para revendê-las. 

Hoje, essa realidade mudou. O que valia tanto quanto um apartamento agora é anunciado por até R$ 15 mil. O antigo negócio lucrativo ficou no passado.

A transferência de alvarás acontecia entre os taxistas. Quem deixava um ponto negociava a permissão para os novatos ou para quem pretendia investir na revenda. Foi assim até a chegada dos aplicativos de transporte na cidade, em 2016. 

O negócio era tão rentável que Pedro Augusto, 65 anos, decidiu se tornar permissionário de táxi. Há 20 anos, ele queria encontrar um segmento digno de investimento. Pesquisou, consultou amigos e constatou que, no ramo dos táxis, conseguiria uma rentabilidade maior que um investimento em imóveis, por exemplo. O empresário acumulou alvarás e começou a alugar carros.

O permissionário não fala em quantidade, mas garante que, se o aluguel de um carro custava R$ 700 por semana, hoje quase não passa dos R$ 400. Uma conta em aberto, já que somente o último alvará, adquirido em 2015, custou R$ 84 mil. 

As histórias se repetem nos pontos de táxi da capital. São 7.296 veículos autorizados na cidade, segundo a Associação-Geral dos Taxistas (AGT). Desse total, a organização estima que mil estão parados. 

O taxista Valdek Pereira, 59, entrou nesse ramo para preencher o tempo livre depois da aposentadoria como operador de processo químico. Um amigo o aconselhou: por que não comprar um alvará? O dinheiro era certo até para um investimento futuro. Então, em 2014, ele conseguiu por R$ 96 mil a autorização de um colega.

Mesmo depois do Uber, primeiro aplicativo de transporte a chegar em Salvador, Valdek decidiu investir em um plano: comprar outro alvará. Depois da aprovação da Lei 9.283, que regulamenta a atividade dos taxistas em Salvador, e das tentativas de regulamentação dos aplicativos, ele pensou que estaria na vanguarda de um investimento bem-sucedido.

Dessa vez, Waldek não gastou mais que R$ 26 mil na licença. Hoje, no entanto, a permissão é avaliada em R$ 9 mil.

A expectativa, agora, é que nem todo o investimento das economias da aposentadoria seja perdido. Há mais de 40 anos, seria impossível imaginar o cenário atual.

Publicidade 3

Comentários

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui