No final da noite de terça-feira, 16, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, usou seu perfil no Twitter para agradecer a decisão do Museu de Nova York de não sediar o evento de gala no dia 14 de maio da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, que vai homenagear o presidente Jair Bolsonaro com o prêmio “Personalidade do Ano”.

Todos os anos, a câmara escolhe duas personalidades, uma americana e outra brasileira, e as premia em seu jantar para mais de mil convidados, com entradas ao preço individual de 30.000 dólares, que estão esgotadas.

Jair Bolsonaro é um homem perigoso. Seu racismo evidente, sua homofobia e decisões destrutivas terão um impacto devastador no futuro do nosso planeta. Em nome de nossa cidade, obrigada Museu de Nova York por cancelar este evento”, escreveu.

Blasio já havia criticado Bolsonaro anteriormente. Na sexta-feira passada (12), o prefeito afirmou que o presidente brasileiro era “um ser humano perigoso”.

Os comentários não foram bem vistos nem pelos apoiadores e nem pelos filhos do presidente. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), por exemplo, tuitou que a fala de Blasio “é a prova que ‘o idiota’ não habita somente a América Latina” e associou a crítica feita pelo prefeito ao “movimento globalista”.

Quem é Bill de Blasio?
Bill de Blasio tem 57 anos, é um democrata que ocupa o cargo de prefeito de NY desde 2014 e se define como um “homem de esquerda que acredita na intervenção do Estado”.

Crítico ferrenho e escancarado do governo Trump, não é incomum entrar no Twitter de Blasio e vê-lo comentando sobre assuntos relacionados ao presidente dos Estados Unidos, em especial em relação às políticas de imigração adotadas pelos EUA.

Também nesta terça-feira, Blasio publicou que “a cidade de Nova York sempre lutará contra o enredo cínico de Trump de dividir o país” e que quer que “qualquer pessoa que esteja fugindo do ódio e da opressão é bem-vinda na cidade dos imigrantes”.

Críticas ao evento
Desde a semana passada, o local já avaliava se manteria a premiação. Ativistas ambientais se queixaram da premiação ao presidente ser realizada no Museu de História Natural. Treze representantes de povos indígenas denunciaram, ao jornal Le Monde, que a política ambiental de Bolsonaro os deixa às portas de “um apocalipse”.

“Esse governo quer monopolizar toda a Amazônia, dessangrá-la ainda mais construindo novas estradas e ferrovias”, alertam a cacique Ivanice Pires Tanone, do povo Kariri Xocó, e o cacique Paulinho Paiakan, do povo Kayapó, entre outros dirigentes.

Desde que assumiu o poder em 1º de janeiro, Jair Bolsonaro pôs em andamento políticas contrárias à demarcação de terras indígenas e às ONGs que lutam contra as mudanças climáticas.

Assim que assumiu o poder, Bolsonaro transferiu para o ministério da Agricultura a questão sensível da demarcação de terras indígenas e o serviço de vigilância florestal, acendendo as críticas de organizações indigenistas e de defesa do meio ambiente.

O presidente, eleito com mais de 55% dos votos após uma campanha com um forte discurso anticorrupção e de linha dura contra a criminalidade, também foi acusado de racismo e homofobia, após polêmicas declarações públicas.

No ano passado, foram premiados no museu do bilionário ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg e o então juiz Sérgio Moro, encarregado da Lava Jato, atual ministro da Justiça e Segurança Pública.

Marcio Ramos Jornalista DRT 5202/BA Conselheiro ABI

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