Crédito da Foto: Reuters

Os venezuelanos acordaram nesta segunda-feira (11/3)  em meio a um blecaute nacional sem precedentes, que já dura cinco dias, deixando os moradores preocupados com os impactos da falta de eletricidade nos sistemas de saúde, comunicações e transporte do país.

O presidente Nicolás Maduro – que está enfrentando um desafio ao seu mandato pelo líder do congresso oposicionista Juan Guaidó – disse que o blecaute é culpa de um ato de “sabotagem” dos Estados Unidos na represa hidrelétrica de Guri. Alguns especialistas dizem que é resultado de anos de investimentos insuficientes.

Guaidó usou artigos da constituição para se declarar presidente interino em janeiro, argumentando que a reeleição de Maduro em 2018 foi fraudulenta. Ele foi reconhecido como líder legítimo da Venezuela pelos EUA, pelo Brasil e outros países ocidentais.

Elliott Abrams, enviado do governo Trump à Venezuela, afirmou que Maduro não estaria aberto a negociações para acabar com o impasse político, apesar da pressão de frequentes protestos da oposição e de sanções norte-americanas ao setor petroleiro, essencial para o país.

O blecaute, que começou na tarde da última quinta-feira (7/3), aprofundou a crise na Venezuela, que já estão sofrendo com ampla escassez de comida e medicamentos.

O país da Opep, que já foi próspero, está sofrendo em meio à um colapso de hiperinflação. Alimentos apodreceram nas geladeiras, pessoas andaram quilômetros para chegar ao trabalho com o metrô de Caracas parado e familiares no exterior aguardavam ansiosos por notícias de parentes, com os sinais de telefone e internet intermitentes.

“O que você pode fazer sem eletricidade?”, questionava Leonel Gutierrez, um técnico de sistemas de 47 anos, enquanto carregava sua filha de seis meses para comprar mantimentos. “A comida que tínhamos estragou.”

Nos hospitais, a falta de luz, combinada com a ausência ou performance ruim de geradores reserva resultou na morte de 17 pacientes pelo país, segundo a organização não governamental Doctors for Health no sábado. A “Reuters” não pôde verificar o número e o Ministério da Informação não respondeu a pedidos de comentário.

A energia voltou brevemente a partes de Caracas e outras cidades na sexta-feira, mas acabou de novo perto do meio-dia no sábado. O blecaute é, de longe, o pior em décadas. Em 2013, Caracas e 17 dos 23 Estados do país foram atingidos por um blecaute que durou seis horas, enquanto em 2018 oito Estados sofreram a queda de luz que durou 10 horas, disseram autoridades do governo na época.

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