A agricultora Maria Cecília Moreira, de 55 anos, observa a pequena propriedade rural, no interior do município de Andradas, em Minas Gerais. Há mais de três décadas, em meio à natureza, uma casa simples de dois cômodos abriga Maria e seu único filho, Ricardo, 38 anos. A sétima filha de 18 irmãos foi criada na roça e todo o sustento da família veio da terra.  

O ingresso no Bolsa Família permitiu que o benefício de R$ 150 ajudasse na alimentação. “Comprava gás de cozinha e o que sobrava ia para carne”, conta. No entanto, a agricultora sempre teve a certeza de que, ao se aposentar, comunicaria ao setor responsável pelo programa que não precisaria mais do benefício.

E, assim, a dona Maria Cecília o fez. A agricultora diz que, agora, o valor que recebia servirá para amparar outras pessoas. “Sinto-me muito feliz e aliviada. Receber a aposentadoria e o Bolsa Família, ao mesmo tempo, não seria certo para mim. Eu estaria pegando dinheiro de outra pessoa que precisa”, avalia.

Desligamento voluntário – Assim como a dona Maria Cecília, desde 2003, outras 520.148 mil pessoas já solicitaram o desligamento voluntário em todo o país. As famílias que desejarem sair do Bolsa Família por terem conquistado autonomia e independência financeira devem procurar o setor responsável pelo programa em sua cidade e fazer a solicitação.

Caso o beneficiário volte a uma situação de vulnerabilidade, tem retorno garantido ao programa. “Famílias que pedem o desligamento voluntário têm o direito de voltar ao programa em 36 meses, sem a necessidade de passar por um novo processo de seleção. Basta se dirigir ao setor responsável e solicitar o retorno. Após atualizar as informações cadastrais, o beneficiário volta a receber o pagamento no mês seguinte”, explica a diretora do Departamento de Benefícios do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Caroline Paranayba.

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