Raul Spinassé/Folhapress
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No dia 31 de dezembro, centenas de milhares de pessoas devem se aglomerar na orla da Boca do Rio, em Salvador, onde curtirão shows de artistas como Ivete Sangalo, Alok e Wesley Safadão no Festival da Virada.

Mas quem pensar em pular sete ondas do mar na principal festa da capital baiana é melhor pensar duas vezes: a praia da Boca do Rio tem a água de pior qualidade de todo o litoral da Bahia.

Situada na foz do rio das Pedras, onde desembocam esgotos clandestinos e galerias pluviais, a praia chega a ter uma concentração de 16 mil coliformes fecais para cada 100 mililitros de água. Uma praia é considerada própria se não tiver registrado mais de 1.000 coliformes fecais para cada 100 mililitros de água na semana de análise e nas quatro anteriores.

A praia da Boca do Rio também é conhecida como Praia dos Artistas. Ganhou este nome na década de 1970, quando ainda era uma área isolada da orla de Salvador e era visitada por artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa. Cinco décadas depois, é uma das áreas mais densamente povoadas da cidade -segundo o Censo de 2010, são cerca de 50 mil moradores no bairro.

Será o segundo ano consecutivo que a festa de Réveillon será realizada numa arena de 55 mil metros quadrados na beira da praia da Boca do Rio. Ao todo, são cinco dias de festa, entre 28 de dezembro e 1 de janeiro.

Em nota, a Prefeitura de Salvador informou que tem realizado campanhas alertando sobre os perigos do banho de mar naquela região antes e durante a festa de Réveillon.

A Embasa, estatal de água e saneamento da Bahia, afirma que a cobertura de esgotamento em Salvador é de 90%. Mas diz que a poluição dos rios urbanos, causada por diversos tipos de lixo, sujeira das ruas e esgoto lançado clandestinamente resultam na poluição da água do mar.

Além da Boca do Rio, as praias do seu entorno também não são próprias para banho. Seguindo no sentido Itapuã, a praia do Corsário teve classificação anula ruim. Patamares, que vem na sequência, foi considerada péssima.

Já a praia de Armação, que também inclui o trecho conhecido como Jardim de Alá, esteve com a sua água imprópria em 100% das medições nos últimos três anos. A praia fica na foz do Rio Camarajipe, maior rio urbano de Salvador, que percorre vários bairros da cidade e chega à foz trazendo lixo e esgoto.

Apesar da água imprópria, o Jardim de Alá é uma praia movimentada e que costuma atrair surfistas e moradores de bairros do entorno. Na manhã de terça-feira (18), famílias estiravam-se na areia e tomavam banho de mar no local, mesmo sabendo das condições da água.

“Sei que é suja, mas gosto daqui porque é uma praia que fica em uma região movimentada, me sinto seguro aqui”, afirma o policial Moisés Carneiro, 36, que mora no interior da Bahia e veio passar as festas de fim de ano em Salvador. A enfermeira Vanessa Amorim diz que vai ao Jardim de Alá apenas para tomar sol, mas evita mergulhar no mar: “Só venho porque moro perto”, diz.

Para quem for ao Réveillon e mesmo assim quiser tomar um banho de mar, a praia com classificação anual regular mais próxima é a de Piatã, cerca de 6 km ao norte do local da festa. No sentido sul, a mais próxima é praia de Amaralina, a cerca de 7,5 km.

Para os mais precavidos, o ideal é checar a classificação de balneabilidade das praias na semana da festa de Réveillon. Os boletins são divulgados toda sexta-feira pelo Inema, órgão ambiental do governo da Bahia.

FONTEFolhapress
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