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RIO — Pelo menos cinco endereços de Luiz Fernando Pezão foram alvos das equipes da Polícia Federal nesta quinta-feira. Além dos palácios Laranjeiras e Guanabara — residência oficial do governador e sede do governo estadual, respectivamente —, agentes também estiveram na casa de Pezão em Piraí, no apartamento dele, no Leblon e até na casa da mãe do governador, dona Ecy, no mesmo bairro.

A prisão de Pezão ocorreu no Palácio Laranjeiras, por volta das 6h. Quase ao mesmo tempo, policiais chegavam ao Palácio Guanabara, onde realizam buscas. No apartamento do governador, a equipe da PF não achou ninguém.

Em Piraí, os agentes tiveram que chamar Amanda, a enteada do governador, para que ela abrisse a porta. Em Piraí, a movimentação dos policiais em frente à casa chamou a atenção de pessoas que passavam pelo local.

Algumas comemoraram a prisão do governador. Júlia Vieira, que passava em frente à residência no seu caminho para o trabalho, parou para perguntar o que estava acontecendo. — Demorou, né — disse ela, quando foi informada da prisão do governador.

Na opinião da moradora, Pezão fez ótima gestão como prefeito de Piraí, mas se corrompeu quando chegou ao governo estadual. — Cabral já está preso há um tempo, e os dois trabalharam juntos — afirmou ela, para justificar por que não ficou surpresa com a operação, mas explicou que a população deve se abalar. — Somos uma cidade de interior que se tornou modelo. Até Lula e Dilma vieram aqui.

Mas hoje Piraí gira muito em torno dele. Muitas pessoas do seu núcleo ascenderam financeiramente nos ultimos anos. Mas as obras da cidade pararam depois que o prefeito atual venceu a eleição, derrotando o candidato de Pezão.

A ordem para esta nova fase da Lava-Jato foi dada pelo ministro e relator do caso Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também relatou a Operação Quinto do Ouro, que prendeu cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) em março do ano passado.

O pedido de prisão foi feito pela PF do Rio, com aval da Procuradoria Geral da República (PGR), a um mês do sucessor de Sérgio Cabral terminar o mandato. Delação foi primordial para prisão Apontada como primordial para a operação dos agentes da Policia Federal e de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) desta quinta-feira a colaboração de Carlos Miranda, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e revelada pelo GLOBO no fim de abril deste ano, sustentou que Pezão recebia do esquema criminoso uma mesada de R$ 150 mil e que, de 2007 a 2014, a propina ao sucessor de Cabral, na época vice-governador, incluía décimo terceiro salário e dois bônus, cada qual no valor de R$ 1 milhão.

Do conjunto de fatos delatados por Miranda, três anexos seguiram para o STJ por determinação do ministro Dias Toffoli, que homologou a colaboração no STF, no início de maio, como também revelou O GLOBO. A remissão dos anexos ao STJ pelo STF se deu por tratar de citados com foro naquele tribunal.

No caso de Pezão, após consulta à PGR, o anexo de número 21 seguiu para o gabinete do ministro Felix Fischer, que já é o relator da Operação Quinto do Ouro, que prendeu os conselheiros do TCE. O mesmo ministro também recebeu outros dois anexos da delação de Miranda. Um deles envolve os conselheiros do TCE e já corre como processo.

O esquema de pagamento a Pezão, sustenta o delator, incluiu em 2013 dois prêmios cada um no valor de R$ 1 milhão, que eram pagos a membros da organização criminosa em algumas oportunidades. O primeiro bônus, segundo ele, foi repassado em quatro parcelas no escritório do lobista Paulo Fernando de Magalhães Pinto, em Ipanema.

Magalhães chegou a ser preso com Cabral, mas hoje vive sob regime de prisão domiciliar. O dinheiro foi providenciado por Chebar, que enviou o assessor Vivaldo Filho. Já o segundo prêmio, ele detalha em outro anexo da delação, referente a Construtora JRO.

 

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