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Inicialmente fora do radar de investigadores que deflagraram, no último dia 8, a Operação Furna da Onça, o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) foi parar no olho do furacão: em depoimento prestado anteontem a policiais e procuradores federais, o deputado estadual Paulo Melo (MDB) o acusou de ser um dos responsáveis por um esquema de corrupção montado dentro da Assembleia Legislativa (Alerj). Melo disse que Pezão procurou deputados para que indicassem nomes para a presidência do Detran-RJ.

De acordo com a investigação, o órgão era usado como moeda de troca: depois de votarem projetos favoráveis ao governo e a empresas, parlamentares conseguiam lotear cargos no departamento de trânsito. Em seu depoimento, Melo, que já foi presidente da Alerj, admitiu que fez indicações para o Detran. Um dos nomes que teria emplacado no órgão foi o de Carla Adriana Pereira, diretora de registros.

Suspeita de ser uma das operadores do esquema de loteamento de cargos, ela foi uma das 22 pessoas que tiveram prisão decretada pelo Tribunal Regional Federal a pedido de policiais e promotores da Operação Furna da Onça. Além de Melo, Jorge Picciani e Edson Albertassi (ambos do MDB) prestaram depoimentos a policiais e procuradores federais.

Os três estão presos desde 2017, quando se tornaram alvos da chamada Operação Cadeia Velha, que teve como objetivo desbaratar um outro esquema de corrupção, mantido por empresários dos setores de construção civil e transportes. O conteúdo dos depoimentos de Picciani e Albertassi não foi revelado. ‘Prática antiga’ Levado do complexo penitenciário de Gericinó para a superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, Melo disse ainda que indicar nomes para o Detran e outros órgãos públicos é prática antiga de deputados, que também estariam loteando cargos em empresas que prestam serviços ao estado.

Apesar disso, afirmou que não havia uma obrigação de contratação dos apadrinhados. O deputado deu a entender que as indicações de nomes faziam parte de um jogo político, mas rebateu a denúncia do Ministério Público Federal de que integrantes da Alerj dividiam entre áreas para o loteamento de cargos: “É fanfarronice, um exagero de quem não conhece como funciona”.

Governo do estado, em nota, nega as acusações Em nota, o governo do estado informou que “a eficiência de um governo democrático depende também da sua estabilidade política, sem, no entanto, que essa estabilidade se ampare em fisiologismos ou benefício pessoal”.

Também afirmou que “o governador jamais tomou a atitude citada e sempre agiu sem fisiologismos ou benefício próprio, tendo como premissa o diálogo, sem cometer, ao priorizar o diálogo, qualquer crime, sempre na busca da melhoria de qualidade do atendimento à população”. O texto termina informando que “todos os servidores que cometem crimes devem ser punidos na forma da lei”.

Desdobramento da Operação Lava-Jato, a Furna da Onça começou a tomar forma após a apreensão, em um computador de Albertassi, de uma planilha com os nomes de 290 pessoas supostamente indicadas por 64 políticos para cargos no governo fluminense.

Para os investigadores, o documento é uma das provas de que parlamentares transformaram a Alerj num balcão de negócios. Dez deputados estaduais tiveram prisão decretada. Entre os detidos também está Affonso Monnerat, secretário de Governo e homem de confiança de Pezão.

Segundo investigadores, o esquema foi intenso entre de 2011 a 2014 e movimentou R$ 54 milhões. O inquérito aponta que os deputados recebiam “mensalinhos” de R$ 20 mil a R$ 900 mil.

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