Shoppings: com lojas fechadas aos domingos, sindicato prevê demissões e suspensão de temporários

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O engenheiro de produção Rafael Lima se surpreendeu ao encontrar a maioria das lojas do Salvador Shopping fechadas no último domingo. “Achei bem estranho por ser um feriadão. O baiano tem cultura de ir ao shopping nos domingos”, observou. Mas, se depender do Tribunal Regional do Trabalho na Bahia (TRT-BA), o episódio deve se repetir por muitos finais de semana. De acordo com o  juiz José Arnaldo de Oliveira, da 18ª Vara do Trabalho, os estabelecimentos não podem exigir que os funcionários trabalhem aos domingos e feriados. Quem descumprir a decisão será multado em R$ 1 mil para cada empregado. 

Duas semanas após a sentença, de acordo com o Presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas), Paulo Motta, as negociações não avançaram e as lojas são obrigadas a continuar de portas fechadas nos domingos e feriados.

15% de demissões e  sem contratações temporárias
A medida, segundo o Sindilojas, vai impactar diretamente na diminuição dos  postos de trabalho. “Quem tá empregado vai perder seus empregos. Com a loja fechada não se gera vendas. A gente não consegue nem manter o emprego de quem está empregado. As contratações temporárias estão praticamente eliminadas”, disse Motta. Segundo o presidente, os lojistas estimam que o quadro de funcionários deve ser reduzido em 15%.
Coordenador regional da Associação Brasileira de Shoppings, Edson Piaggio estima que o fechamento dos estabelecimentos no último feriado provocou um prejuízo de R$ 20 milhões. 

Lojas devem continuar fechadas
Sem perspectiva de acordo, as lojas devem continuar fechadas no domingo. “É uma perda para os lojistas e para os comerciários, já que parte da remuneração vem da comissão. Um shopping que emprega cerca de 30 mil pessoas ia contratar de 2,5 a 3 mil trabalhadores para o dia das crianças. Não contratou e ainda vai sacrificar o efetivo que já existe. As lojas devem continuar fechadas nos próximos finais de semana”, opinou o coordenador da  Associação Brasileira de Shoppings.

Sindicato diz que “intransigência da parte empresarial”  impede acordo
Para o presidente do Sindicato dos Comerciários de Salvador, Jaelson Dourado, a “intransigência” dos empresários impede que seja selado um acordo. “Desde fevereiro nós enviamos a nossa pauta de reivindicação e buscamos um entendimento que fosse bom para o comerciário e para o comércio.  Não avançou para o fechamento da convenção coletiva que estabelece as regras para o comércio funcionar domingos e feriados. Como não tem, não pode abrir [as lojas]. Há uma intransigência da parte empresarial. Estamos buscando um acordo e nada. A lei determina que tem que ter um acordo”, explicou.

Metro 1 

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