Quem perde com o rompimento entre Paulo Azi e Joaquim Neto?

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Foto: Vanderley Soares

A cidade de Alagoinhas entrou em polvorosa alguns dias depois das eleições com a notícia do rompimento político entre o deputado federal Paulo Azi e o prefeito de Alagoinhas Joaquim Neto. Para alguns, surpresa. Para quem anda no meio político, uma movimentação natural.

Alguns analistas de plantão partiram para as mais variadas conjecturas e apontaram uma série de fatores. Outros, menos informados, alegavam que o deputado Paulo Azi não ficou satisfeito com a demissão da sub-secretária de Desenvolvimento Econômico Jaldice Nunes, mais conhecida como a “estourada”, que até poucos dias batia palmas para os dois e os defendia contra tudo e todos. Era fichinha perto de um cenário assombroso chamado política e jogo de interesses. A “estourada” teve a sua chance. Entre aplausos e apupos, lá estava ela, na linha de frente, sem medo, feito um cachorro fiel ao seu dono. Foi treinada pelos políticos pra ser assim, fiel, defensora e ordeira, como os cães.

Não foi essa a razão, creio. Mas devo pontuar alguns fatos ocorridos nos bastidores das eleições e que merecem  atenção, embora esse rompimento tenha sido o ápice da história de dois políticos que até pouco tempo se abraçavam e se apresentavam para o público como dois irmãos, mas que na verdade se comiam internamente.

Não sei tudo dos bastidores, pois há tempo deixei de frequentar comensais e rega-bofes da Casa Grande, pois, sabedor de meu lugar e já escaldado com tanto desdém de político, prefiro me resguardar. Mas acompanho os fatos de casa, nas esquinas e nas praças, onde interlocutores dão todo relatório e nuances, com riqueza de detalhes, apontando, inclusive, as mariquinhas dos convivas. Isso é dito por pouco e já foi contado pela Coluna Boca de Brasa em uma de suas edições, onde um secretário simplório, bacana e simpático, tinha suas pupilas e suas marionetes no Governo a servi-lo.

Fatores alheios ao conhecimento público atearam fogo a essa relação. O que era um deputado que trouxe quase R$ 70 milhões em obras para o município passou a ser persona non grata.

Fala-se a boca pequena que o prefeito Joaquim Neto não vestiu a camisa dez do time de Paulo Azi, nem muito menos a camisa nove de Geraldo Melo, tendo apoiado, na surdina, dois deputados da região, em detrimento de seu pupilo, o Fera. Vi uma de suas caminhadas passar em um bairro popular da cidade e o presenciei a beijar muita gente e distribuir o tal do santinho.

Outras prosopopeias menos onerosas ocorreram ao longo dos 45 dias de campanha. Quem chegava ao comitê parecia que o deputado Paulo Azi estouraria de voto, que Geraldo Melo seria um dos mais votados. Mas isso não aconteceu e o resultado já era esperado, um desastre. O que aconteceu, então. Apoiaram Paulo Azi e desdenharam Geraldo Melo? Mas é um time, estavam todos do mesmo lado. Ledo engano. Nem os vereadores da bancada assumiram publicamente esse ônus.

E isso já ocorreu antes, quando Paulo Cezar, antes pupilo de ACM senador, se juntou ao PMDB e deixou o grupo. Agora, a história se repete, porém com novos personagens. E em outro momento, em seu primeiro mandato, PC filiou-se novamente ao grupo Carlista e levou consigo mais uns cinco, afirmando ter formado uma grande aliança em prol de Alagoinhas. O que ele me disse no elevador da Governadoria eu já escrevi no jornal Gazeta, edição esqueci, de 19 anos atrás.

A votação de Paulo Azi foi pífia, mas nunca foi das melhores. Ele é mais querido fora do que em sua terra. É seu jeitão? É sua pose? Falta beijar mais o povo? Falta compromisso com a cidade? Não. Ele é assim, cara de durão, carrega o ranço de uma família poderosa na cidade e que sofre resistência política e o ódio de alguns. Dizem que pobre não gosta de rico, mas tem pobre que bajula rico pra pensar que é como ele. Paulo Azi é herdeiro de um dos mais atuantes deputados do Congresso por mais de 30 anos, Jairo Azi, e conhece como poucos os meandros da política, pois nasceu e conviveu com os maiores políticos da Bahia. Faria um livro em dois dias.

Ele se engajou. Único deputado federal, com pequenas exceções de depulecos que trouxeram quadras e ambulâncias, a trazer obras e destravar projetos e programas para Alagoinhas, além de encaminhar a vinda da faculdade de medicina e da duplicação da BR 101. Economicamente, esses dois ainda não dão retorno financeiro para cidade, mas são importantes na engrenagem e na atração de novos negócios. Mas o deputado destravou e trouxe os benefícios. Sem falar no IFBaianao, cuja obra parecia interminável.

Em Brasília, o prefeito tratou de arrumar as malas e buscar abrigo em outro ninho. Reuniu-se com a cúpula baiana do PP, cujo presidente estadual, João Leão, é considerado uma águia, homem que grita e berra aos quatro cantos e até se coloca como escudo na defesa de seus interesses e de seus apadrinhados. Não tem medo de onça, de justiça nem do eco de suas palavras, mas pode se engasgar com fantasmas que prenunciam viradas históricas dentro do Governo de Rui Costa. É aguardar.

Enquanto o prefeito formava seu ninho em Brasília, por aqui, depois de muito burburinho, alguns secretários arrumavam a mala para abandonar o barco. Era o fim de uma história que nasceu no último ano do governo passado, quando o grupo do deputado deixou a administração para apoiar o satirodiense nascido em Alagoinhas.

Joaquim era desconhecido do grande público, mas gozava de simpatia e sabia beijar pobres, apertar mãos e dar abraços apertados. Fez a lição de casa e provou que era tão alagoinhense quanto Paulo Cezar, que encontrou seu narcisismo em Sônia Fontes, mas teve o feitiço desfeito nas urnas.

O futuro vai provar se Paulo Azi tem amor à sua terra, pois terá a oportunidade de trazer mais R$ 70 milhões em emendas, mesmo sendo o cara rico, aplaudido por poucos pobres. E terá que fazer ainda mais, pois, Joseildo Ramos deve assumir uma vaga de deputado e também enviar suas emendas.

Joaquim Neto, que sempre esteve, ao longo dos últimos 25 anos, ao lado dos carlistas, terá no grupo de Rui Costa a oportunidade de reencontrar figuras que também já se regozijaram na Casa Grande, mas que encontraram abrigo em ninhos petistas.

O tempo dirá quem está no caminho certo. E, principalmente, se Alagoinhas ganhou ou se perdeu com essa querela.

 

Por Vanderley Soares – Jornalista DRT 4848

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