Prefeitura leva agricultores e representantes das comunidades rurais para uma visitação à Embrapa

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Foto: Ana Maria Simono/SECOM

Com foco em modernizar o plantio da mandioca, em agregar conhecimentos e aumentar o potencial produtivo no setor, a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Agricultura (SEMAG), convidou representantes das comunidades rurais para uma visita à Embrapa, no centro de Mandioca e Fruticultura, localizado em Cruz das Almas.

A unidade, especializada no aproveitamento de áreas ainda subutilizadas para mandioca, citros, banana, abacaxi, manga, mamão, maracujá e acerola, é referência no estado e o intuito, segundo o secretário de agricultura de Alagoinhas, Geraldo Almeida, foi possibilitar o diálogo entre produtores rurais e equipe técnica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, contribuindo para a expansão da área plantada e para o fortalecimento da produção local.

“A produção de farinha no município de Alagoinhas ainda é feita de forma rudimentar, com casas de farinha rústicas, nem sempre nas condições ideais de higiene e preparação. Ao mesmo tempo, sabemos que o Brasil tem uma participação efetiva na produção mundial da mandioca e a Bahia está entre os estados que mais cultivam a raiz tuberosa, então dedicar estudos, investimentos e encaminhamentos para esta cultura é, sem dúvida, apostar no desenvolvimento da região”, afirmou o gestor da pasta.

No total, 36 pessoas participaram da visitação, que começou às 9h, em Cruz das Almas, e seguiu até as 17h. Os visitantes contaram ainda com palestras do pesquisador Joselito Motta, do Centro Nacional de Pesquisa em Mandioca e Fruticultura Tropical, e da engenheira agrônoma Cinara Morales. Foram abordados aspectos das etapas de cultivo, preparo da maniva, cadeia produtiva e adubação, entre outros fatores que envolvem a tradição, os materiais, o manejo e as variedades da mandioca.

Foto: Ana Maria Simono/SECOM

“Foi muito importante participar. Na Embrapa, aprendemos como deve ser uma casa de farinha higiênica, com dois ambientes separados, sendo um apenas para o manejo das raízes descascadas e outro para os equipamentos de processamento, como ralador, prensa e torradeira. O instrutor alertou também que a legislação sanitária exige piso cerâmico, teto forrado e todo o maquinário inox, além do uso de touca e avental. Então tivemos orientações e explicações para que possamos diminuir o atraso que ainda temos com relação às instalações onde fabricamos farinha e beijus”, pontuou “Buba”, presidente da associação de Pedra de Cima.

A SEMAG informou que, desde 2017, vem incentivando produtores locais. A secretaria comunicou que tem distribuído, anualmente, 800 toneladas de adubo orgânico às associações de agricultores locais e que a visita promovida faz parte de um conjunto de iniciativas para fomentar as potencialidades da cultura da mandioca. “No próximo ano, vamos desenvolver ações no sentido de modernizar o plantio da mandioca, visando ao aumento da produtividade e tendo como objetivo destinar uma parte do orçamento da agricultura familiar para a adequação de casas de farinha comunitárias às normas de higiene previstas”, garantiu o secretário.

Produtividade no campo e projeção econômica
Pesquisas apontam que a Bahia é a unidade da federação com o maior número de agricultores familiares do Brasil. No total, são mais de 665 mil estabelecimentos rurais de agricultores responsáveis por 90% da mandioca plantada em todo o estado.

Em Alagoinhas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2017), a área total de mandioca chega a 1200 hectares, com cerca de mil produtores contabilizados – um índice considerado ainda baixo para o potencial da região, segundo a Secretaria Municipal de Agricultura.

Foto: Ana Maria Simono/SECOM

“Com áreas individuais tão pequenas, é difícil modernizar os plantios, que ainda são realizados na base da enxada e da adubação empírica, o que confere uma baixa produtividade, na ordem de 12 toneladas por hectare, enquanto o Paraná, cujo plantio é comercial e altamente tecnificado, atinge 30 toneladas por hectare. O que temos feito, então, é justamente incentivar esses agricultores locais, dando a eles subsídios e promovendo trocas de conhecimento para que possam gerar resultados positivos no âmbito municipal”, ressaltou Geraldo Almeida, responsável pela pasta.

Em termos gerais, o Brasil ocupa a segunda posição na produção mundial de mandioca, tendo papel importante na alimentação humana e animal e interferindo diretamente na geração de emprego e de renda. Estima-se que, na fase de produção primária e no processamento de farinha e fécula, sejam gerados, em média, um milhão de empregos diretos.

Os números mostram ainda que a atividade da mandioca proporciona receita bruta anual equivalente a 2,5 bilhões de dólares e uma contribuição tributária de 150 milhões de dólares.

Para a SEMAG, investir no setor da agricultura – considerado um dos principais faturamentos anuais do mundo quando o quesito é produção familiar – significa abrir novos caminhos e possibilidades para o fortalecimento de cadeias produtivas como a da mandioca e, consequentemente, para a melhoria de vida da população rural.

“Vamos fazer ainda mais e estamos desenvolvendo ações que devem trazer mais versatilidade para o cultivo da mandioca no campo. É dali que sai a farinha, o beiju e muitos pratos da nossa culinária tradicional. A SEMAG tem projetado novas ações que serão divulgadas em breve, assegurou.

Em 2019, a secretaria pretende modernizar o plantio e a estrutura das casas de farinha do município.

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