Técnica de enfermagem é morta por ex com mais de 50 facadas na frente da filha

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Foto: Reprodução/Tailane Muniz/CORREIO

Depois de algumas tentativas, há quatro meses a técnica de enfermagem Claudeane Mota do Nascimento, 22 anos, conseguiu se separar e sair de casa. Ela vivia um relacionamento de cinco anos com o pedreiro Luide Silva de Jesus Lima, 23, com quem teve uma filha – atualmente com 3 anos. Nesta terça-feira (10), no entanto, ao reencontrar Luide, a jovem não resistiu à fúria do pai da menina.

Claudeane foi golpeada com uma faca pelo menos 53 vezes, na frente da criança, e morreu no local – uma casa alugada pelo casal no bairro de Boa Vista de São Caetano, em Salvador.

O corpo da técnica de enfermagem só foi encontrado na manhã desta quarta-feira (11), quando os vizinhos escutaram a criança chorando. Ao chegarem no local, os moradores da Travessa Saboaria se surpreenderam com a cena de horror.

As chaves da casa estavam na fechadura. A criança, que pode ter dormido entre a noite e a madrugada, ao lado do corpo da mãe, está em estado de choque. Luide trancou a filhinha com o cadáver da ex-mulher e fugiu.

Em nota, a Polícia Militar informou que policiais da 9ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/São Caetano) foi chamada para checar a denúncia de que havia uma mulher vítima de arma branca.

Ainda segundo a polícia, o fato foi constatado por volta de 11h. Em seguida, o local foi isolado e a perícia acionada. Conforme informações da Polícia Civil, a delegada Jussara Bispo, titular da 3ª Delegacia de Homicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), solicitará a prisão temporária de Luide.

Tia da jovem, a técnica de enfermagem Radinei Santos, 38, contou que foi uma das responsáveis por criar a sobrinha.

Além da tia, o pai da jovem e o padrasto também estiveram no IML. Abalado, o pai não quis conversar com a reportagem.

Radinei comentou que a Claudeane conheceu Luide há cinco anos, quando estudava o 3° ano do ensino médio no Colégio Militar. “Ele é primo da esposa do meu irmão, tio dela, e começaram a namorar. Nós nunca apoiamos, porque não gostávamos do jeito dele. Eles não tinham nada a ver, mas ela se apaixonou e não escutou ninguém”, relatou a técnica.

Em poucos meses de relacionamento, a jovem saiu da casa da avó, onde morava, em Boa Vista de São Caetano, para viver com o namorado na região de Saramandaia, no bairro de Pernambués.

Embora tenha sido contra, a família não conseguiu evitar a decisão. Após dois anos de namoro, a vítima engravidou. “Foi quando decidimos apoiar ela, porque, querendo ou não, nós a amávamos muito. Minha mãe era louca por ela; foi a primeira neta, então, resolvemos dar uma das casas para que eles pudessem morar próximo”, lembra a tia.

Agressões
Foi então que Claudeane retornou para o convívio da família, já com oito meses de gravidez. A tia contou que a jovem dizia que estava bem com o marido. Anos depois, quando a criança já tinha dois anos, a avó da jovem, uma senhora de 67 anos, presenciou a primeira agressão de Luide contra a neta.

Inconformada, a idosa partiu para cima do agressor e o expulsou de casa. Na época, Radinei chegou a levar a sobrinha para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), onde a jovem prestou queixa. 

“Eu vi que ela foi porque eu meio que obriguei. Por ela, ela não teria ido [prestar queixa]. A todo momento ela tentava dar para trás, mas como eu queria registrar, ela não teve escolha”, comentou Radinei. 

“Nesta época, minha mãe deu todo apoio. Nós acertamos com ela que pagaríamos o curso técnico, que a gente ia ajudar a criar a menina e tudo ficou acertado assim. Mais ou menos 20 dias depois, ele foi na casa pegar as coisas dele. Foi quando ela chegou e disse: ‘ele está arrependido, e eu vou morar com ele de novo. Podem ficar tranquilas, está tudo certo’, e foi”, completou a tia, com lágrimas nos olhos.

Claudeane não contou a ninguém, mas a família descobriu que Luide chegou a dar chutes na jovem durante a gravidez. As agressões, no entanto, não impediram que a jovem quisesse insistir no relacionamento. Um desentendimento no Natal, no entanto, fez com que a vítima decidisse se separar de vez do pai da filha. Conforme o padrasto da jovem, o pedreiro Oto Santos, 31, ela decidiu ir com a filha para o convívio da mãe, em São Marcos.

“Ela estava bem demais, tudo tranquilo. Já estava bem melhor, trabalhando, feliz. Porque não foram poucas as vezes que tentamos alertar ela de que aquela vida não era pra ela. No início era ótimo, mas tudo no começo são flores e ele logo foi mostrando quem realmente era. Uma moça jovem, inteligente, bonita, cheia de vida e muito amada. Muito amada por mim, pela mãe, avós, tios, tias, irmãos… Por todo mundo”, comentou ele, acrescentando que Claudeane era a filha mais velha de sua esposa, com quem tem um relacionamento há 13 anos.

Fonte: Correio 24h

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