Após exame em São Paulo, Lula embarca para cumprir pena em Curitiba

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(Foto: Suamy Beydoun/Estadão Conteúdo)

Após se entregar na noite deste sábado (7), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi encaminhado para a Superintendência da PF, em São Paulo, para fazer exame de corpo de delito. Após realizar o exame, Lula seguiu de helicóptero em direção ao aeroporto de Congonhas rumo a Curitiba. O embarque em um monomotor da Polícia Federal ocorreu pouco antes das 21h.

Manifestantes a favor e contra Lula se reuniram em frente a sede da PF. Alguns entraram em confronto. A maioria dos manifestantes anti-Lula soltaram rojões, buzinam e alternam o Hino Nacional ao grito de guerra “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”.

Prisão tumultuada
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi preso neste sábado (7) por volta de 18h40, em São Bernardo do Campo (SP), na grande São Paulo.

Ele entregou-se à Polícia Federal após a segunda tentativa de saída do sindicato. Na primeira vez, foi impedido pela militância que chegou a quebrar o portão para impedi-lo.

Durante o ato ecumênico realizado pela manhã no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017, Lula anunciou que se entregaria. No evento, que se tornou um ato político, o ex-presidente disse que iria se entregar para “enfrentar” a Lava Jato.

O juiz federal Sergio Moro determinou que Lula deveria ter se apresentado à Polícia Federal em Curitiba até as 17h da última sexta (6), mas o prazo foi ignorado pelo petista. Desde quinta (5), quando Moro decretou sua prisão, o ex-presidente ficou alojado no sindicato, em São Bernardo, cercado por militantes e políticos de esquerda.

A defesa do petista negociava na sexta as condições para que ele se entregasse. A PF descartou enviar agentes ao sindicado para evitar conflitos.

Lula foi condenado por Moro, em julho de 2017, a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). Em janeiro deste ano, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) aumentou a pena para 12 anos e um mês de detenção.

Na ação apresentada pelo Ministério Público Federal, Lula é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras. O valor, apontou a acusação, referia-se à cessão pela OAS de apartamento tríplex ao ex-presidente, a reformas feitas pela construtora nesse imóvel e ao transporte e armazenamento de seu acervo presidencial. Moro, porém, absolveu o ex-presidente na acusação sobre o acervo.

A defesa do ex-presidente nega irregularidades e afirma que ele nunca foi dono do apartamento.

Pedidos de habeas corpus para sustar a prisão foram negados no STJ e no STF.

Crime comum
Lula é o primeiro presidente da história do Brasil a ser preso após condenação penal. Em 1980, então líder sindical, ele foi preso por motivos políticos, sob acusação de “incitação à desordem”, no período final da ditadura militar. Lula nasceu em Garanhuns, agreste pernambucano, em 1945.

Migrou para São Paulo aos 7 anos, liderou o movimento sindical contra a ditadura no ABC paulista no final dos anos 1970 e fundou o Partido dos Trabalhadores em 1980, galvanizando a esquerda brasileira nas quatro décadas seguintes.

Elegeu-se presidente em 2002, na sua quarta candidatura, e reelegeu-se em 2006. Sob seu governo, o país acelerou o crescimento da renda e reduziu a pobreza e a desigualdade, acompanhando o que ocorria em outras nações emergentes.

Recordista de popularidade, ao deixar o cargo elegeu uma novata, Dilma Rousseff, como sucessora. Reeleita em 2014, ela sofreu impeachment em 2016.

Dois dos maiores escândalos de corrupção já registrados, o mensalão e o petrolão – este último revelado pela Operação Lava Jato -, arrebataram o governo durante o ciclo petista, bem como a mais profunda e extensa recessão em 34 anos. 

Fonte: Correio 24h

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