Forma de instalar guard rail pode evitar acidentes como o da Paralela

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A instalação adequada das muretas metálicas na Avenida Paralela, em Salvador, pode evitar acidentes graves, como o que resultou na morte da assistente social Ana Carolina Andrade, 32 anos, na manhã desta segunda-feira (3). Trata-se do aterramento das extremidades das estruturas, seguindo princípios de segurança defendidos em estudos acadêmicos e por especialistas em trânsito como o professor Elmo Felzemburg, da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba). 

Segundo ele, essa seria a forma mais adequada de se concluir a instalação dos guard rails – nome em inglês das muretas ou defensas metálicas, que são comum nas bordas de pistas e costumam servir de contenção ou amortecimento de veículos durante colisões.

“O que aconteceu (na Avenida Paralela) não poderia acontecer jamais! Alguma coisa estava errada ali e fez com que a defensa funcionasse como um facão e adentrasse o veículo”, disse Felzemburg, ao comentar a forma como o carro dirigido pela assistente social foi atingido pela estrutura.

O especialista diz, no entanto, que é importante verificar se a estrutura já não havia sido alterada em decorrência de choque prévio. Nesse caso, o guard rail, além de não cumprir seu papel, pode aumentar a gravidade do acidente, como o que ocorreu um uma das principais avenidas da capital.

Na ocasião, mais duas pessoas ficaram feridas – o bebê Caio Andrade, de apenas 3 meses, e o pai do menino, o técnico em elétrica Leandro Nery, 36. A família voltava de uma consulta ao pediatra, e seguia para o bairro de Jardim das Margaridas, onde morava.

“A defensa não foi projetada para isso. Tinha alguma deficiência ali, pode ser que ela já estivesse deformada. É preciso investigar para saber qual foi a causa. Ela devia proteger, e não aumentar a fatalidade do acidente, como aconteceu na Paralela”, explica Felzemburg.

Estudo
De acordo com um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), publicado no ano passado, saídas da pista e colisões com objetos fixos são os tipos de acidente que são mais atenuados com esse tipo de contenção.

Segundo a pesquisa, que foi realizada por especialistas em operações rodoviárias, a exposição dos “cantos vivos” voltados contra o fluxo de tráfego é um dos casos que caracterizam a implantação incorreta da defensa metálica.

Após o impacto do acidente, a estrutura feita de aço se deforma com a colisão para absorver o impacto e redireciona os veículos de zona de risco, reduzindo a gravidade do acidente.

“Se o carro se desgovernar, por exemplo, ele é ‘aparado’ por essa defensa. Assim, os efeitos do impacto são minimizados e o veículo não capota, não desce uma ribanceira, coisa desse tipo. Ao veículo se chocar, ela se deforma e absorve parte desse choque”, explica Felzemburg.

Segurança
Após o acidente, nesta terça, a equipe do CORREIO identificou três tipos diferentes de extremidades nos guard rails da Avenida Paralela. Em um deles, a defensa metálica tem extremidade inclinada para baixo, sem ângulo reto e ancorada no solo, não ficando exposta – o que é mais seguro e oferece menos riscos em casos de colisão, segundo os especialistas.

Ponta enterrada é a maneira mais correta para finalizar a grade (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Em outros dois não há inclinação, o terminal é reto. A diferença é que em um deles há uma espécie de revestimento, e o outro tem a extremidade descoberta, com o aço pontiagudo desprotegido. 

Terminal reto com o aço pontiagudo é a forma incorreta, sobretudo se voltado contra o fluxo; terminais absorvedores de energia são menos perigosos  (Fotos: Evandro Veiga/CORREIO)

“O mais correto é o que está com a ponta enterrada. Em uma tem uma proteção da ponta da defensa mas não tenho certeza que ela seja segura, depende do sentido do tráfego. Mas o mais correto é enterrar”, comenta o professor da Ufba.

“No caso da primeira foto [extremidade desprotegida], pode haver choque frontal com a ponta da defensa. A defensa também é indicada para proteger o veículo contra choques contra obstáculos. Parece que quem colocou ali protegeu poste ou pilar, mas esqueceu do tráfego”, continua ele. 

O especialista ressalta que só uma perícia pode afirmar se a defensa metálica na qual o carro de Ana Carolina colidiu era ou não adequada para estar na avenida.

Fonte: Correio 24h

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