Quadrilha que roubava pneus abordava vítimas enquanto dormiam

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Divulgação

A hora de descanso de alguns caminhoneiros que usam as BR-116, BR-324 e BR-110 para transportar cargas se tornou um verdadeiro pesadelo nos últimos três anos. Isso porque uma quadrilha formada por pelo menos 11 pessoas abordava os condutores enquanto eles dormiam nos postos de combustíveis. O objetivo? Roubar os pneus dos veículos – que chegam a custar R$ 2 mil – para revender em borracharias de beira de estrada.

Com os assaltos, o grupo, que foi desarticulado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pela Polícia Federal nesta terça-feira (27), lucrou mais de R$ 9 milhões só na Bahia.

Durante os assaltos, os motoristas eram levados para uma estrada próxima ao local da abordagem. Lá, o grupo retirava os pneus e rodas e levava para outro caminhão. Os motoristas chegavam a ser conduzidos de forma violenta.

Nos roubos, as quadrilhas ainda chegavam a levar rádios, peças do carro e pertences pessoais das vítimas. A quadrilha agia em grupos de quatro a seis integrantes por vez.

Exigentes
Os caminhões escolhidos pelos assaltantes eram aqueles que estavam em bom estado, ou seja, o veículo tinha que ter pneus novos. Assim, os acusados conseguiam passar o material para os receptadores. “Para ser revendidos os pneus tinham que estar em bom estado. Então, a quadrilha só ia atrás de caminhões com pneus mais novos”, contou o superintendente.

Para transportar os pneus, os assaltantes usavam uma carreta e outro caminhão. Eles atuavam em três estados: Minas Gerais, Sergipe, além da Bahia.

A primeira prisão, por exemplo, ocorreu na manhã desta segunda-feira (26), na cidade de Araxá (MG). Lá, cinco homens foram presos em flagrante após um assalto. Com eles, a polícia encontrou 68 pneus, um revólver calibre 38, dois caminhões e duas carretas roubados.

De acordo com o delegado regional de investigação e combate ao crime organizado da PF, Fernando Berbert, os dois outros acusados foram detidos em Itabaiana (SE) e um em Aracaju (SE).

Na Bahia, dois foram presos em Feira de Santana e um em Cabaceiras do Paraguaçu, no Recôncavo. Além disso, ainda houve o encaminhamento de quatro pessoas que estavam auxiliando na fuga dos acusados.

“Quando alcançamos eles em Minas, eles tinham acabado de roubar um [caminhão] bitrem. Cada bitrem desse tem 36 pneus. Se você multiplica isso, dá pra ver que eles conseguem lucrar muito em pouco tempo”, indica o superintendente Madruga.

Além da prisão de 11 pessoas (sete de forma preventiva, e quatro de forma temporária), a polícia ainda cumpriria 14 mandados de busca e apreensão em diversas cidades.

Assaltos lucrativos
Em uma carreta com 36 rodas, o bando poderia chegar a lucrar até R$ 72 mil, já que um pneu pode chegar a custar R$ 2 mil. 

Além disso, o grupo conseguia atuar com agilidade, de acordo com o superintendente. Ao mesmo tempo em que realizavam um assalto em uma região, já se organizavam para a próxima atividade criminosa. “Eles se articulavam muito rápido. E de noite já ganhavam as rodovias”, comentou Daniel.

Desde 2015, 180 ocorrências atribuídas à quadrilha foram registradas só na Bahia. Em 2015, o número foi de 56. Já em 2016, de 62 e, em 2017, também 62. 

Pontos de receptação 
Os pneus roubados eram vendidos para receptores em pontos estratégicos das estradas. Para lucrar mais, os acusados chegavam a fazer negócios. Por exemplo, cada pneu, que custa, em média, R$ 2 mil, eram repassados por R$ 1.200 a R$ 1.500.

Para o delegado da PF, os motoristas que compravam o material a baixo custo e sem nota fiscal estavam compactuando com o crime. Na ação, a PF apreendeu quatro pessoas pelo crime de receptação.

“Na região de Feira de Santana, encontramos uma pessoa com a posse desse material. Isso serve como alerta para os motoristas. Pneus novos, colocados à venda, podem ter vindo de alguma atividade ilícita”, afirmou.

Fonte: Correio 24horas

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