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Novembro Negro começou nesta terça-feira com programação nas comunidades quilombolas

A Secretaria de Assistência Social da Prefeitura Municipal, por meio da Diretoria de Reparação Social, deu início, na manhã desta terça-feira (21), à programação do Novembro Negro, em comemoração ao Dia da Consciência Negra.
A ação desse ano traz o tema “Consciência não tem Cor. Negro é Raíz” e conta com atividades desenvolvidas nas comunidades quilombolas Oiteiro, Cangula e Quizambu. Serão rodas de capoeira, debates, apresentações culturais, sessões de cinema ao ar livre e oficinas de turbante, penteados e maquiagem oferecidas durante o cronograma, que começa hoje (21) e segue até 29 de novembro.

“Nós precisamos resgatar as raízes que estão se perdendo dentro das comunidades”, afirmou Marizélia Soares, diretora de Reparação Social da SEMAS. Segundo ela, o objetivo da grade é levar as pautas e discussões também para as localidades quilombolas. “O objetivo do nosso prefeito e do Secretário Alfredo Menezes é levar para as comunidades as nossas ações e trabalhar junto com eles dentro do Estatuto da Igualdade Racial”, explicou.

Alagoinhas é uma das três cidades baianas que tem o Dia da Consciência Negra decretado como feriado municipal. A data, que relembra a morte de Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo do período colonial e símbolo da luta contra a escravidão, foi instituída oficialmente por meio da Lei 12.519, de 2011 e, no município, o feriado é determinado pela Lei 1985/2009. “É a primeira vez que está havendo espaço para a Diretoria de Reparação desenvolver atividades desse tipo, por incentivo e com apoio do governo de Joaquim Neto”, enfatizou Marizélia Soares.

Segundo a vice-prefeita Iraci Gama, que fez um pronunciamento hoje na abertura das atividades, Alagoinhas tem uma história antiga de combate à intolerância, seja ela de caráter religioso, racial ou de qualquer tipo, e essa é uma luta que deve continuar sendo travada pelo município. “A gente tem avançado em outras direções, no sentido do desenvolvimento, da educação, do atendimento à saúde, mas, quando se trata de uma pessoa que vem de uma herança africana, quando se trata de um afrodescendente, ainda sentimos uma carga muito forte de discriminação, e isso incomoda, porque você percebe que a ascensão social que o sujeito alcançou, a projeção que ele, com muito esforço, alcançou, termina esbarrando nesses esquemas de discriminação e preconceito inaceitáveis”, ressaltou.

A professora também utilizou uma história pessoal para relembrar a importância da ancestralidade e da história no desenvolvimento e na valorização da cultura. “Quando menina, a minha avó falava de trancinha de nagô e fazia aquelas trancinhas de nagô e eu não sabia o porquê. A trancinha nagô era motivo de discriminação entre as próprias crianças. Depois é que eu vim saber que nagô era realmente uma tribo africana, a tribo nagô, então quando a minha avó, que era descendente de escravos, estava fazendo trancinha nagô na minha cabeça, ela estava usando um ritual cultural que era dos ancestrais dela e, consequentemente, dos meus ancestrais. Hoje as mães fazem as trancinhas nas crianças pra enfeitar, pra embelezar. As mulheres usam aqueles turbantes maravilhosos, mas quando não querem o turbante usam o próprio cabelo trançado, então a gente precisa trabalhar no sentido de mostrar que isso é valor, é valor íntimo, é valor cultural. E tudo aquilo que é cultural é muito significativo, porque a base da nossa vida está na cultura. Quem não sabe qual é a sua cultura, não respeita as suas raízes, não tem possibilidade de avançar, porque árvore nenhuma se desenvolve se não for a partir da raiz. É a raiz vai lá, suga o que tem de melhor no solo e faz com que os furtos fiquem fortes, os galhos fiquem bonitos, as folhas fiquem viscosas e as flores se abram”, contou Iraci Gama, que completou, “Nossa raiz afro tem que ser respeitada. Vamos continuar lutando por isso até o final dos nossos dias”.

Para Claudemir da Paixão Carvalho, que esteve na abertura representando a comunidade Cangula, esse reconhecimento do povo negro é relevante. “Eu acho de extrema importância esse momento aqui hoje para a gente poder estar reivindicando, gritando e dizendo que somos um povo que existimos e que precisamos de respeito. O que eu quero destacar é que o quilombo agora é Casa Grande”, finalizou o morador da comunidade quilombola.

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