Cientistas brasileiros vão ao Egito comandar missão arqueológica

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Arqueologos brasileiros comandam pela primeira vez misso científica no Egito, em Luxor, a capital das tumbas. O alvo é uma tumba ainda inexplorada, bastante decorada e que contém sepultamento também de animais; na foto, detalhe da decoração da TT123, a tumba explorada pelo grupo

Com suas múmias, faraós e pirâmides, o Egito é uma espécie de capital mundial da arqueologia. Agora, pela primeira vez, uma equipe de cientistas brasileiros lidera uma missão arqueológica no país.

O grupo, comandado por pesquisadores da Universidade Federal do Sergipe, conta ainda com apoio de cientistas do próprio Egito e de outros países, formando um megatime com mais de 20 pessoas.

Mesmo com uma equipe robusta, os brasileiros terão muito trabalho para fazer. Os cientistas vão participar de todas as etapas do trabalho: da escavação à pesquisa do material e conservação e restauro das peças milenares encontradas.

O projeto brasileiro vai se concentrar em uma tumba da famosa cidade de Luxor, a capital do Egito durante Novo Império (1570-1090 a.C.).

Trata-se de um complexo com três tumbas interligadas, nunca antes exploradas, e com uma rica decoração, especialmente com figuras de animais e plantas.

REPERCUSSÃO

A missão brasileira tem repercutido bem no meio acadêmico egípcio.

O começo dos trabalhos, em meados de março, atraiu grande atenção da comunidade científica e também de autoridades egípcias, que organizaram uma cerimônia oficial para marcar a data.

“O fato de ser um projeto de um país em desenvolvimento, o Brasil, voltado para um outro país em desenvolvimento, o Egito, é um diferencial muito grande. Nossa proposta é descolonizar a arqueologia. Não estamos aqui para ensinar, mas sim para construirmos juntos um conhecimento”, diz um dos líderes do trabalho, o arqueólogo José José Roberto Pellini, professor da Universidade Federal de Sergipe.

A ideia de um projeto feito para integrar competência e intercâmbio entre pesquisadores é especialmente importante para os egípcios, “traumatizados” com séculos de expedições, sobretudo europeias, que muitas vezes saqueavam o patrimônio arqueológico do país.

Nas últimas duas décadas, o governo egípcio vem travando uma verdadeira batalha com museus de vários países do mundo em uma tentativa de recuperar tesouros que eles consideram roubados. Não por acaso, hoje existe uma rígida política para as escavações de estrangeiros no país.

“Nada pode ser retirado da tumba. Não podemos, por exemplo, levar algo para um laboratório para analisar. Nesse caso, é preciso autorização e inspeção especial”, explica Pellini.

TECNOLOGIA

Além da exploração arqueológica “tradicional”, o grupo brasileiro também trabalha em uma vertente tecnológica. Armados de escâneres e câmeras, eles também estão fazendo um mapeamento completo em 3D da tumba.

O objetivo é, recorrendo a recursos de realidade virtual, conseguir transportar visitantes de todo o mundo para dentro da expedição egípcia, sem sair de casa.

“A realidade virtual ainda é uma coisa muito nova na arqueologia do Brasil. Aliás, no mundo, ainda são muito poucos os trabalhos arqueológicos que usam”, conta o pesquisador. Fã de múmias e pirâmides desde pequeno, o professor José Roberto Pellini diz estar realizando um sonho com a expedição.

Após cerca de 20 dias de trabalho preliminar, em que abriram a tumba e fizeram um diagnóstico inicial do que precisa ser feito, o grupo brasileiro se despediu de Luxo e retornou ao Brasil. Daqui a alguns meses, eles voltam para o Egito para, aí sim, começar um ritmo mais intenso de trabalho.

Como a tumba é inexplorada, há expectativa de que possa geral muitas publicações científicas para os arqueólogos brasileiros.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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